Categorias

Notícias - Pesquisas

Uma década de ERRO

ARTE PÚBLICA EM FLORIANÓPOLIS: A PRAÇA XV COMO LUGAR PRATICADO

Dissertação de Mestrado em Urbanismo História e Arquitetura da Cidade – PGAU-CIDADE – Giovana Zimermann – 2010.

3.4 ARTE PÚBLICA NO CAMPO DA POSSIBILIDADE CONTEMPORÂNEA

Os coletivos de arte surgem com o interesse de dialogar com os espaços urbanos, explorando esses espaços em sua extensão máxima e, sobretudo, em seu movimento. O processo colaborativo é um discurso que se firma cada dia mais contundente no momento contemporâneo como uma forma de compreensão da criação em que as ações se mesclam continuamente. A finalização não é objetivo, mas ela revela processos e nos faz pensar.

Na contemporaneidade, a arte pública pode funcionar como “máquina de guerra”, pelo seu caráter transgressor, funcionando como um corte nas estratégias de poder que se impõem no espaço público. Sobre o conceito de máquinas, declaram Deleuze e Guatari:

Sim, nós damos à maquina uma grande extensão: em relação com o fluxo. Definimos a máquina como qualquer sistema de cortes de fluxo. Assim tanto falamos de máquina técnica no sentido usual da palavra, como de máquina social, ou de máquina desejante. É que, para nós, máquina não se opõe de modo algum nem ao homem nem a natureza (é preciso boa vontade para nos objetar que as formas e as relações de produção [306] não são máquinas. (DELEUZE E GUATTARI, 2006, p..281).

3.4.4 – Jogos da Babilônia – A Festa Fora da Festa

Os conflitos urbanos estão afetando a vida dos habitantes das grandes cidades, e mesmo daquelas de tamanho médio, como é o caso de Florianópolis. Os indivíduos que não participam do campo de poder são retirados do cenário do jogo e coexistem na cidade contemporânea. Essa realidade é percebida e incorporada nas obras contemporâneas de Arte Pública.

O Grupo Erro foi fundado em 2001, na cidade de Florianópolis. Trata-se de um coletivo composto por integrantes[1] com formação no teatro e nas artes plásticas. Buscam refletir sobre a união das linguagens artísticas, o performer, a invasão do espaço público e a diluição da arte no cotidiano. A Praça XV foi cenário em algumas de suas propostas, como por exemplo, em uma cena de Desvio (2006), conforme Figura 3.62. Segundo Pedro Bennaton, “além de conseguirmos apagar todas as luzes da praça, tampando o foto-sensor (sem autorização), satirizávamos os musicais e sua pirofagia espetacular, executando uma música e soltando fumaça e espuma na praça e nos transeuntes”.[2]

Jogos da Babilônia: Festa Fora da Festa

Picture 1 of 1

Figura 3.63 – Grupo Erro “Jogos da Babilônia – A Festa Fora da Festa” Praça XV

Fonte: Fotografias de Julia Amaral, 2009

Percorrendo os espaços urbanos, buscando evidenciar as relações construídas em uma sociedade espetacular e cada vez mais virtual, o grupo discute a realidade contemporânea das mais variadas formas: atuações performáticas e arte tecnológica, conforme apresentado em site.[1] No dia 27 de julho de 2009, o Grupo Erro realizou um evento performático intitulado Jogos da Babilônia – A Festa Fora da Festa. Foi uma das propostas artísticas da exposição Impremeditações realizada pelo Instituto Meyer filho,[2] conforme Figura 3.62.

A Praça XV de Novembro funcionou como cenário, mas também como uma zona explicitando as possibilidades, impossibilidades, sociabilidades e conflitos da cidade contemporânea. A proposta suscitou reflexões mediante a simulação de situações cotidianas ou raras para a cidade contemporânea. Os artistas questionaram a abusiva adoção de palavras estrangeiras que são colocadas em espaços públicos, colocando placas de WC e Lounge. Fitas de isolamento foram colocadas no decorrer da festa, incensos foram acesos ao longo do percurso. Apareceram alguns personagens com atitudes lúdicas e até surreais, como um chapeleiro ambulante oferecendo doces (cubos de açúcar) aos participantes.


[1] Informações concedidas à autora por Pedro Bennaton por e-mail no dia 17 agosto de 2009.


[2] Meyer filho, desenhista, pintor e tapeceiro. Foi fundador e presidente do Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis (GAPF) e organizou em 1958/59 os dois primeiros salões de arte moderna de Santa Catarina, fora do Estado.


[1] Integrantes do Grupo Erro: Luana Raiter, Michel Marques, Pedro Diniz Bennaton e Priscila Zaccaron.

[2] Pedro Bennaton é integrante do Grupo Erro roteirista e diretor, maiores informações no site <>.

Fonte Giovana Zimermann – Arte Pública em Florianópolis