{"id":793,"date":"2011-03-20T20:02:16","date_gmt":"2011-03-20T20:02:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/?p=793"},"modified":"2011-06-04T01:54:25","modified_gmt":"2011-06-04T01:54:25","slug":"ocupacao-invasao-e-deslocamento-no-espaco-urbano-em-intervencoes-do-erro-grupo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/2011\/03\/20\/ocupacao-invasao-e-deslocamento-no-espaco-urbano-em-intervencoes-do-erro-grupo\/","title":{"rendered":"Ocupa\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o e deslocamento no espa\u00e7o urbano em interven\u00e7\u00f5es do ERRO Grupo."},"content":{"rendered":"<p>Ocupa\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o e deslocamento no espa\u00e7o urbano em interven\u00e7\u00f5es do ERRO Grupo.<\/p>\n<p>Por Luana Raiter e Pedro Diniz Bennaton<\/p>\n<p>Este artigo tem como foco principal os procedimentos estrat\u00e9gicos de invas\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o e deslocamento, utilizados em algumas interven\u00e7\u00f5es de teatro de rua do ERRO Grupo, provocando intera\u00e7\u00f5es com o p\u00fablico. Atrav\u00e9s de relatos do grupo de algumas participa\u00e7\u00f5es do p\u00fablico nas pe\u00e7as: Carga Viva (2002), Desvio (2006) e Enfim um L\u00edder (2007), considerando as teorias de Richard Schechner (1976, 1988, 1994, 1995, 2001) e as experi\u00eancias situacionistas no espa\u00e7o urbano, esta an\u00e1lise contribui para a compreens\u00e3o de procedimentos de a\u00e7\u00e3o urbana e dos processos criativos do ERRO.<\/p>\n<p>As pesquisas realizadas pelos situacionistas\u00a0 podem constituir uma diversidade de procedimentos estrat\u00e9gicos de a\u00e7\u00e3o urbana e de intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico devido aos seus constantes exerc\u00edcios de cr\u00edtica e autocr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es constru\u00eddas por suas situa\u00e7\u00f5es e suas experi\u00eancias. Entre os diversos procedimentos de atua\u00e7\u00e3o do situacionismo parece apropriado destacar a demanda por uma nova cartografia de ambientes para sua utiliza\u00e7\u00e3o imediata, assemelhando-se aos conceitos propostos por Richard Schechner, te\u00f3rico da performance da New York University, para construir situa\u00e7\u00f5es em espa\u00e7os urbanos, esp\u00e9cies de deslocamentos sob forma de encontros entre as pessoas.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o de seus procedimentos estrat\u00e9gicos de a\u00e7\u00e3o, como a interfer\u00eancia m\u00fatua entre dois ambientes de experi\u00eancia, por gestos e palavras que adquirem outros significados, pela cria\u00e7\u00e3o de linguagens secretas, com senhas, pela inclina\u00e7\u00e3o ao jogo, pela uni\u00e3o de express\u00f5es independentes, \u00e0 deriva e a psicogeografia, os situacionistas transformam as rela\u00e7\u00f5es e criam elementos transviados, justapostos e livres, que constroem uma esfera din\u00e2mica no cotidiano do espa\u00e7o urbano. Portanto, quando constroem situa\u00e7\u00f5es, ou quando prop\u00f5em estrat\u00e9gias para a cria\u00e7\u00e3o dessas, os situacionistas abrem uma gama de possibilidades para modificar as condi\u00e7\u00f5es determinantes dos fluxos urbanos e criar ambienta\u00e7\u00f5es em plena rua, assim como prop\u00f5e o Environmental Theater, de Schechner (1994).<\/p>\n<p>Os situacionistas clamam por procedimentos estrat\u00e9gicos em constante movimento entre a experimenta\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1xis que possam abranger a grande variedade de poss\u00edveis \u00e1reas de manifesta\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o urbano, demonstrando que a arte situacionista em si n\u00e3o existe, mas, sim, uma aproxima\u00e7\u00e3o situacionista, ou seja, estrat\u00e9gias situacionistas de se lidar com a arte. Schechner (1976, p. 197) ressalta que o potencial das performances urbanas permite \u201cque as pessoas se encontrem nas ruas\u201d para \u201cflertar com a possibilidade da improvisa\u00e7\u00e3o \u2013 que o inesperado possa acontecer\u201d.<\/p>\n<p>Os situacionistas em seu Plano para melhorias racionais da cidade de Paris, de outubro de 1955, por exemplo, propunham, quanto ao uso do espa\u00e7o urbano, que os metr\u00f4s fossem abertos pela noite, assim que os trens parassem de rodar, que as vias fossem pouco iluminadas, ou que suas luzes piscassem e que as lajes dos pr\u00e9dios da cidade fossem abertas para que as pessoas pudessem subir atrav\u00e9s das escadas de inc\u00eandio. Propunham quanto ao uso dos espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos e institucionais que as pra\u00e7as fossem escuras, que todos os postes de luz tivessem interruptores para serem desligados, que as igrejas fossem demolidas (proposta de Debord), que fossem extirpadas de seus conte\u00fados religiosos (ideia de Gil J. Wolman) ou que fossem tratadas como constru\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias onde crian\u00e7as poderiam brincar ali dentro. Que os museus fossem extinguidos e suas obras-primas distribu\u00eddas em bares da cidade, que todos tivessem livre acesso \u00e0s pris\u00f5es, que todos os monumentos e est\u00e1tuas tivessem suas inscri\u00e7\u00f5es trocadas e depois fossem removidos, e que as ruas tivessem seus nomes hist\u00f3ricos trocados. Essas proposi\u00e7\u00f5es demonstram uma clara inten\u00e7\u00e3o de transformar a cidade. Em texto do mesmo ano, Introdu\u00e7\u00e3o a uma cr\u00edtica da geografia urbana, afirmam que \u201ca troca repentina de ambientes em uma mesma rua na dist\u00e2ncia de alguns metros\u201d deve ser a l\u00f3gica dos passeios sem raz\u00e3o para a experi\u00eancia de uma s\u00e9rie de ambienta\u00e7\u00f5es, \u201ca partir de condi\u00e7\u00f5es de viv\u00eancia\u201d, a partir da Deriva. Hakim Bey, expoente contempor\u00e2neo das ideias situacionistas, e autor de TAZ &#8211; Zona aut\u00f4noma tempor\u00e1ria (2001) e Caos: Terrorismo po\u00e9tico e outros crimes exemplares (2003) que elabora pr\u00e1ticas estrat\u00e9gicas para uma transforma\u00e7\u00e3o da sociedade atual, afirma que a Deriva foi concebida para revolucionar o cotidiano. Suas a\u00e7\u00f5es para a realiza\u00e7\u00e3o da Deriva seriam uma esp\u00e9cie de perambular ao acaso pelas ruas de uma cidade, como \u201cum nomadismo urbano vision\u00e1rio\u201d, a experimentar \u201ca intensidade da percep\u00e7\u00e3o\u201d. O praticante da deriva deveria aceitar as imprevisibilidades, deslocando-se para sinais, coincid\u00eancias ou escolhas aleat\u00f3rias que possam gui\u00e1-lo ao rumar de lugar a lugar, consciente \u201cdo itiner\u00e1rio como significado\u201d e simbologia.<\/p>\n<p>Ao propor uma invas\u00e3o no espa\u00e7o com o uso do deslocamento atrav\u00e9s de outros espa\u00e7os, o potencial do inesperado, do improv\u00e1vel acontecer fica mais latente. A transforma\u00e7\u00e3o eminente pela movimenta\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o e abrang\u00eancia da a\u00e7\u00e3o em diferentes n\u00edveis de intera\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, evidenciam que o acaso \u00e9 inerente \u00e0 interven\u00e7\u00e3o urbana. Esta deve articular o presente em suas estrat\u00e9gias para ir al\u00e9m na comunica\u00e7\u00e3o com as pessoas, na ruptura do cotidiano, para construir v\u00ednculos de aproxima\u00e7\u00e3o entre a a\u00e7\u00e3o urbana e a rede social e espacial da cidade.<\/p>\n<p>Os trabalhos do ERRO Grupo\u00a0 possuem rastros das pr\u00e1ticas situacionistas e das teorias de Schechner (1976, 1988, 1994, 1995, 2001). Integram o repert\u00f3rio do grupo seis espet\u00e1culos de rua, Adelaide Fontana (2001), Carga Viva (2002), Buzkashi (2004), Desvio (2006) e Enfim um L\u00edder (2007), assim como diversas performances e interven\u00e7\u00f5es urbanas. Sobre os procedimentos estrat\u00e9gicos de invas\u00e3o, de ocupa\u00e7\u00e3o e de deslocamento que o grupo pesquisa, transcorreremos com foco na rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico suas opera\u00e7\u00f5es em tr\u00eas destes espet\u00e1culos: Carga Viva , Desvio\u00a0 e Enfim Um L\u00edder &#8230;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/A-interatividade-o-controle-da-cena.pdf\" target=\"_blank\">Clique aqui para o livro e o artigo completos.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Luana Raiter e Pedro Diniz Bennaton publicado no livro &#8220;A interatividade, o controle da cena e o p\u00fablico como agente compositor&#8221;, apresenta\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o Margie \/ Margarida Gandara Rauen &#8211; EDUFBA &#8211; Salvador, 2009.  <a href=\"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/2011\/03\/20\/ocupacao-invasao-e-deslocamento-no-espaco-urbano-em-intervencoes-do-erro-grupo\/\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-pesquisas"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=793"}],"version-history":[{"count":21,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1093,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/793\/revisions\/1093"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}