{"id":2134,"date":"2011-12-06T02:13:37","date_gmt":"2011-12-06T02:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/?p=2134"},"modified":"2012-08-07T04:24:44","modified_gmt":"2012-08-07T04:24:44","slug":"performer","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/2011\/12\/06\/performer\/","title":{"rendered":"Performer &#8211; Jerzy Grotowski"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jerzy Grotowski <em>(1990 &#8211; <\/em>Pol\u00f3nia)<\/strong><\/p>\n<p><strong><em> Translated by Thomas Richards e Jo\u00e3o Garcia Miguel<\/em><\/p>\n<p><em> Performer<\/em>,  com letra mai\u00fascula, \u00e9 um homem de ac\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que faz de  outro. Ele \u00e9 um fazedor, um sacerdote, um guerreiro: est\u00e1 fora dos  g\u00e9neros est\u00e9ticos. Ritual \u00e9 performance, uma ac\u00e7\u00e3o conseguida, um acto.  Ritual degenerado \u00e9 um espect\u00e1culo. Eu n\u00e3o procuro descobrir algo novo,  mas algo esquecido. Algo t\u00e3o antigo que todas as distin\u00e7\u00f5es entre  g\u00e9neros est\u00e9ticos deixem de ser necess\u00e1rias.<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Sou um <em>professor do Performer<\/em> (falo no singular: do <em>Performer<\/em>). Um professor \u2013 como  no artesanato &#8211;  \u00e9  algu\u00e9m atrav\u00e9s do qual o conhecimento est\u00e1 a ser passado; o  conhecimento deve ser recebido, mas a forma do aprendiz o reconhecer s\u00f3  pode ser pessoal. E como \u00e9 que o professor, ele pr\u00f3prio, chega ao saber  do conhecimento? Por inicia\u00e7\u00e3o, ou por roubo. <em>Performer <\/em>\u00e9  um estado do ser. Um homem de conhecimento, podemos falar dele  referenciando os romances de Castaneda, se gostarmos de romantismos. Eu  prefiro pensar em Pierre de Combas. Ou at\u00e9 deste Don Juan, descrito por  Nietzsche como um rebelde para quem o conhecimento se apresenta como um  dever; mesmo se os outros n\u00e3o o amaldi\u00e7oassem, ele sentir-se-ia um  desafiador\/reformador, um fora da lei. Na tradi\u00e7\u00e3o Hindu fala-se de <em>vratias <\/em>(hostes de rebeldes). <em>Vratia <\/em>\u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 no caminho de conquistar o conhecimento. Um homem de conhecimento (czlowiek poznania) tem ao seu dispor <em>o fazer<\/em> e n\u00e3o ideias ou teorias. O verdadeiro professor \u2013 o que \u00e9 que ele faz pelo aprendiz? Ele diz: <em>faz<\/em>.  O aprendiz luta para perceber, para reduzir o desconhecido ao  conhecido, para evitar fazer. No pr\u00f3prio facto de querer perceber, ele  resiste. Ele apenas pode perceber depois de <em>fazer.<\/em> Ele <em>f\u00e1-lo<\/em> ou n\u00e3o. Conhecimento \u00e9 uma quest\u00e3o de <em>fazer. <\/em><\/p>\n<p><strong>Perigo e sorte<\/strong><\/p>\n<p>Quando  eu uso o termo: guerreiro, talvez vos remeta para Castaneda, mas todas  as escrituras falam do guerreiro. Podem encontr\u00e1-lo na tradi\u00e7\u00e3o Hindu  bem como na Africana. Ele \u00e9 algu\u00e9m que est\u00e1 consciente da sua pr\u00f3pria  mortalidade. Se \u00e9 necess\u00e1rio confrontar-se com cad\u00e1veres, ele  confronta-os, mas se n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio matar, ele n\u00e3o mata. Entre os  \u00cdndios do Novo Mundo dizia-se que entre duas batalhas, <em>o guerreiro tem um cora\u00e7\u00e3o suave, como o de uma jovem rapariga.<\/em> Para conquistar o conhecimento ele luta, porque a pulsa\u00e7\u00e3o da vida  torna-se mais forte e mais articulada em momentos de grande intensidade,  de perigo. O perigo e a sorte caminham juntos. N\u00e3o se tem classe a n\u00e3o  ser em frente ao perigo. No momento do desafio surge a ritmiza\u00e7\u00e3o dos  impulsos humanos. Um Ritual \u00e9 um momento de grande intensidade;  intensidade provocada; a vida torna-se, ent\u00e3o, ritmo. <em>Performer<\/em> sabe conectar os impulsos corporais \u00e0 melodia. (A corrente de vida deve  ser articulada em formas.) As testemunhas entram, ent\u00e3o, em estados de  intensidade porque,  por assim dizer, elas sentem a sua presen\u00e7a. E, isto \u00e9 gra\u00e7as ao <em>Performer<\/em>, que \u00e9 uma ponte entre a testemunha e este algo. Neste sentido, <em>Perfomer<\/em> \u00e9 <em>pontifex<\/em>, fazedor de pontes.<\/p>\n<p>Ess\u00eancia: etimologicamente, \u00e9 uma quest\u00e3o de ser, <em>ser sendo<\/em>.  Ess\u00eancia interessa-me porque nada nela \u00e9 sociol\u00f3gico. \u00c9 aquilo que n\u00e3o  se recebeu dos outros, o que n\u00e3o veio do exterior, o que n\u00e3o \u00e9  aprendido. Por exemplo, consci\u00eancia \u00e9 algo que pertence \u00e0 ess\u00eancia; \u00e9  diferente do c\u00f3digo moral que pertence \u00e0 sociedade. Se quebrarmos o  c\u00f3digo moral sentimo-nos culpados, e \u00e9 a sociedade que fala em n\u00f3s. Mas,  se actuarmos contra a consci\u00eancia, sentimos remorsos \u2013 isto \u00e9 entre ti e  o teu ser e n\u00e3o entre ti e a sociedade. Porque quase tudo o que  possu\u00edmos \u00e9 sociol\u00f3gico, a ess\u00eancia parece-nos ser algo com pouca  import\u00e2ncia, mas \u00e9 nossa. Nos anos setenta, no Sud\u00e3o, ainda havia jovens  guerreiros nas vilas de Kau. Para o guerreiro com total organicidade, o  corpo e a ess\u00eancia podem entrar em osmose: parece imposs\u00edvel  dissoci\u00e1-los. Mas este n\u00e3o \u00e9 um estado permanente; n\u00e3o dura muito. Nas  palavras de Zeami, \u00e9 a <em>flor da juventude<\/em>. No entanto, com a idade, \u00e9 poss\u00edvel passar de um <em>corpo-e-ess\u00eancia<\/em> para um <em>corpo de ess\u00eancia<\/em>. Isto acontecer\u00e1 como resultado de uma dif\u00edcil evolu\u00e7\u00e3o,  de  uma transmuta\u00e7\u00e3o pessoal, que \u00e9 de alguma forma a tarefa de todos n\u00f3s. A  pergunta chave \u00e9: Qual \u00e9 o seu processo? \u00c9s fiel a ele ou lutas contra o  teu processo? O processo \u00e9 como que o destino de cada um, o seu pr\u00f3prio  destino, que se desenvolve dentro do tempo (ou apenas l\u00e1 permanece \u2013 e \u00e9  tudo). Ent\u00e3o: <em>Qual \u00e9 o n\u00edvel de submiss\u00e3o<\/em> ao teu pr\u00f3prio destino? Cada um pode conectar-se com o seu processo se aquilo que fizer for manter-se pr\u00f3ximo de si mesmo, se <em>n\u00e3o odiar aquilo que faz<\/em>. O processo est\u00e1 conectado com a ess\u00eancia e leva-nos virtualmente ao <em>corpo de ess\u00eancia<\/em>. Quando o guerreiro est\u00e1 num curto per\u00edodo de osmose <em>corpo-e-ess\u00eancia<\/em>,  dever\u00e1 conectar-se com o processo. Ajustado ao processo, o corpo  torna-se n\u00e3o resistente, quase transparente. Tudo estar\u00e1 iluminado, em  evid\u00eancia. Com o <em>Performer, <\/em>a performance<em> <\/em>consegue tornar-se pr\u00f3xima do processo.<\/p>\n<p>O Eu-Eu<\/p>\n<p>Pode ler-se nos textos antigos: <em>N\u00f3s somos dois.<\/em> <em>O p\u00e1ssaro que debica e o p\u00e1ssaro que observa. Um morrer\u00e1, um viver\u00e1.<\/em> Ocupados com o alimento, embriagados com a vida dentro do tempo, esquecemo-nos de <em>fazer viver<\/em> a parte de n\u00f3s que observa. Por isso, h\u00e1 o perigo de existir apenas  dentro do tempo, e de forma nenhuma fora dele. Sentir-se observado por  esta outra parte de si pr\u00f3prio (a parte que est\u00e1 como que fora do tempo)  d\u00e1-nos outra dimens\u00e3o. H\u00e1 um Eu-Eu. O segundo Eu \u00e9 quase virtual; n\u00e3o \u00e9  um \u2013 em si \u2013 olhar dos outros, nem qualquer julgamento; \u00e9 como um olhar  im\u00f3vel: uma presen\u00e7a silenciosa, como o sol que ilumina as coisas \u2013 e \u00e9  apenas isto. O processo apenas pode ser conseguido somente no contexto  desta presen\u00e7a constante. Eu-Eu: na experi\u00eancia, o duplo n\u00e3o aparece  separado, mas como uma unidade, \u00fanica.<\/p>\n<p>No caminho o <em>Performer<\/em> \u2013 apercebe-se da ess\u00eancia durante a osmose com o corpo, e depois  trabalha-a no processo; ele desenvolve o Eu-Eu. A presen\u00e7a observadora  do professor pode por vezes funcionar como um espelho da conex\u00e3o Eu-Eu  (pois esta jun\u00e7\u00e3o pode ainda n\u00e3o ter sido encontrada). Quando o canal  Eu-Eu \u00e9 encontrado, o professor pode desaparecer e o <em>Performer<\/em> continua em direc\u00e7\u00e3o ao <em>corpo de ess\u00eancia<\/em>;  isto pode ser \u2013 para algu\u00e9m \u2013 como aquilo que se observa na fotografia  de Gurdjieff, velho, sentado num banco de jardim em Paris. Da fotografia  do jovem guerreiro de Kau at\u00e9 \u00e0 de Gurdjieff acontece a passagem de <em>corpo-e-ess\u00eancia <\/em>ao <em>corpo de ess\u00eancia<\/em>.<\/p>\n<p>Eu-Eu  n\u00e3o significa estar dividido em dois, mas ser-se duplo. A quest\u00e3o \u00e9  ser-se passivo na ac\u00e7\u00e3o e activo na observa\u00e7\u00e3o (reverter o h\u00e1bito).  Passivo: estar receptivo. Activo: estar presente. Para nutrir a vida do  Eu-Eu, o <em>Performer<\/em> deve desenvolver, n\u00e3o um organismo-mat\u00e9ria, um organismo de m\u00fasculos,  atl\u00e9tico, mas um organismo-canal atrav\u00e9s do qual as energias circulam,  as energias se transformam e o subtil \u00e9 tocado.<\/p>\n<p>O <em>Performer<\/em> deve fundar o seu trabalho numa estrutura precisa \u2013 fazendo esfor\u00e7os,  porque a persist\u00eancia e o respeito pelos detalhes s\u00e3o o rigor que  permitem tornar presente o Eu-Eu. As coisas a fazer devem ser precisas. <em>N\u00e3o improvise, por favor<\/em>!  \u00c9 necess\u00e1rio encontrar as ac\u00e7\u00f5es, simples, tendo, no entanto, o cuidado  de que elas sejam dominadas e que perdurem. Se n\u00e3o, elas n\u00e3o ser\u00e3o  simples, mas banais.<\/p>\n<p>Aquilo de que me recordo<\/p>\n<p>Um  dos acessos ao caminho criativo consiste em descobrir dentro de si uma  antiga corporalidade \u00e0 qual se esteja ligado por uma forte rela\u00e7\u00e3o  ancestral. Por isso n\u00e3o se est\u00e1 no personagem nem no n\u00e3o-personagem.  Come\u00e7ando pelos pormenores pode descobrir em si um outro \u2013 o seu  av\u00f4,  a sua m\u00e3e. Uma fotografia, uma mem\u00f3ria de rugas, o eco distante de uma  cor da voz possibilita a reconstru\u00e7\u00e3o de uma corporalidade. Primeiro, a  corporalidade de algu\u00e9m conhecido, e depois cada vez mais e mais  distante, a corporalidade de um desconhecido, o antepassado. Ser\u00e1  literalmente o mesmo? Talvez n\u00e3o literalmente \u2013 mas talvez, como poderia  ter sido. Poder\u00e1 chegar bastante atr\u00e1s, como se a sua mem\u00f3ria  acordasse. Este \u00e9 o fen\u00f3meno da reminisc\u00eancia, como se record\u00e1ssemos o <em>Performer<\/em> do ritual primordial. Cada vez que descubro algo, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de  que \u00e9 aquilo que me recordo. As descobertas est\u00e3o no passado e n\u00f3s  devemos viajar atr\u00e1s para as alcan\u00e7ar. Com essa descoberta \u2013 como que  regressando de um ex\u00edlio \u2013 pode algu\u00e9m tocar alguma coisa que n\u00e3o est\u00e1  ligada aos in\u00edcios, mas \u2013 e atrevo-me a diz\u00ea-lo \u2013 <em>ao inicio<\/em>?  Eu acredito que sim. Ser\u00e1 a ess\u00eancia o passado escondido da mem\u00f3ria?  N\u00e3o fa\u00e7o ideia. Quando eu trabalho pr\u00f3ximo da ess\u00eancia, tenho a sensa\u00e7\u00e3o  que a mem\u00f3ria se actualiza. Quando a ess\u00eancia \u00e9 activada, \u00e9 como se  fossem tamb\u00e9m activadas fortes potencialidades. A reminisc\u00eancia \u00e9 talvez  uma dessas potencialidades.<\/p>\n<p>O homem interior<\/p>\n<p>Cito:<\/p>\n<p>Entre o homem interior e o homem exterior existe a mesma diferen\u00e7a infinita que entre o c\u00e9u e a terra.<\/p>\n<p>Quando  estava na minha primeira causa, eu n\u00e3o tinha Deus, eu era a causa de  mim. A\u00ed ningu\u00e9m me perguntava para onde eu tendia, nem o que estava a  fazer; n\u00e3o existia ningu\u00e9m que me questionasse. O que eu quisesse, eu  era, e o que eu era, eu queria; estava livre de Deus e de tudo.<\/p>\n<p>Quando  sa\u00ed para fora (flu\u00ed para fora) todas as criaturas falavam de Deus. Se  algu\u00e9m me perguntasse: &#8211; Irm\u00e3o Eckhart, quando \u00e9 que sa\u00edste de casa? \u2013  Eu estava ali h\u00e1 um momento atr\u00e1s, eu era eu mesmo, eu queria-me a mim  mesmo e conhecia-me a mim mesmo, para fazer o homem (que aqui por baixo  eu sou). \u00c9 por isso que eu estou por nascer, e pela minha condi\u00e7\u00e3o de  n\u00e3o nascido, eu n\u00e3o posso morrer. O que eu sou pelo meu nascimento  morrer\u00e1 e desaparecer\u00e1, porque \u00e9 dado ao  tempo  e deteriorar-se-\u00e1 com o tempo. Mas com o meu nascimento tamb\u00e9m nasceram  todas as criaturas. Todas elas sentem a necessidade de ascender da sua  vida para a sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando  eu regressar, esta descoberta \u00e9 muito mais nobre do que a minha sa\u00edda.  Nessa descoberta \u2013 l\u00e1, eu estou acima de todas as criaturas, nem Deus,  nem criatura; eu sou o que eu era, e assim devo permanecer agora e para  sempre. Quando eu chegar \u2013 l\u00e1, ningu\u00e9m me perguntar\u00e1 de onde eu vim, nem  onde eu estive. L\u00e1 eu sou quem era, n\u00e3o aumento nem diminuo, porque sou  \u2013 l\u00e1, uma causa im\u00f3vel, que faz mover todas as coisas.<\/p>\n<p>Nota  (que acompanhou o texto \u201cPerformer\u201d na brochura publicada pelo  Workcenter em Pontedera, It\u00e1lia): Uma vers\u00e3o deste texto \u2013 baseada numa  confer\u00eancia dada por Grotowski \u2013 foi publicada em Maio 1987 pela <em>Art-Press<\/em> em Paris, com o seguinte coment\u00e1rio por Geoges Banu: \u201cO que eu proponho  aqui n\u00e3o \u00e9 uma grava\u00e7\u00e3o, ou um sum\u00e1rio, mas sim notas tiradas  cuidadosamente, o mais pr\u00f3ximas poss\u00edveis das f\u00f3rmulas de Grotowsky.  Dever\u00e3o ser tomadas como indica\u00e7\u00f5es para uma traject\u00f3ria e n\u00e3o como os  termos de um programa, nem como um documento \u2013 acabado, escrito,  encerrado.\u201d O texto foi re-trabalhado e aumentado por Grotowsky para a  presente publica\u00e7\u00e3o. Identificar <em>Performer<\/em> com os participantes do Workcenter seria um abuso do termo. A quest\u00e3o  est\u00e1 apenas ligada aos v\u00e1rios casos de aprendizagem, de toda a  actividade de \u201cprofessor de <em>Performer<\/em>\u201d, em que esta raramente ocorre.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/textoavoltadaperformance.blogspot.com.br\/2010\/01\/performer.html\" target=\"_blank\"><strong>http:\/\/textoavoltadaperformance.blogspot.com.br\/2010\/01\/performer.html<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Performer, com letra mai\u00fascula, \u00e9 um homem de ac\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m que faz de outro. 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